terça-feira, 9 de junho de 2009

Crítica a um crítico do consumismo

A única pergunta que eu realmente gostaria de fazer - e cuja resposta eu realmente gostaria de ouvir - a - de - um dos figurantes críticos do consumismo é: "por que uma pessoa não pode consumir sem implicaturas esquerdistas?".

Eu sei que seria difícil para um desses engenhosos arquitetos morais responder, mas, justamente nessa lacuna, é que nós, os seres imorais, precisamos atuar; veja bem, seu imundo, não vemos nenhuma relação entre o vintém e o vício!

Uma pessoa ao consumir um vinho caro, por exemplo, tem o prazer de tomar uma bebida A PRINCÍPIO de qualidade superior. Mas a questão concernente ao prazer de comprar uma bebida cara não é - somente - a suposta qualidade superior: o que interessa é tomar uma bebida cara. O prazer de gastar o dinheiro de uma fonte dos desejos em uma garrafa de 750ml de licor dionisíaco é demasiado provocante.

A vontade de comprar algo inacessível à boa parte da população - seja por preço ou por gosto - produz em nossos olhos nefastos um estranho brilho - de origem patológica; a gota e o gole que nos embebeda a altos preços - e a prazeres alheios - faz-nos sentir mais embriagados.

É vertiginoso e libidinoso consumir. Compra-se o instinto - compra-se a razão. E, dessa forma, cumprem-se as premissas propostas por nós, pessimistas: somos corruptíveis. A audácia burguesa é demasiado sofisticada se comparada à ingenuidade travestida e incoerente dos profetas revolucionários. 

Somos reacionários e somos racionais: os seres superiores devem governar e, para exercer seu governo, devem pôr serpentes que matem o governado ultrajante. Deve-se ser a semente e o sêmen da riqueza. Deve-se ser exuberante. Deve-se ser rubi rútilo. Deve-se - em meio à prole prostituída - ser alteza.

Aquele que pensa ser mais digno pela sua pobreza - ou devido à sua condição de escravo - precisa ser conversado em sua condição; quanto maior a dignidade e o sentimento de dever cumprido, mais estaremos, amigos do ócio e do ouro, a subordinar tais criaturas.


Somos consumistas e egocêntricos, porque somos senhores - e eles, serviçais. Somos superiores e somos os piores. Agimos apenas com a ambição e a malícia. Não somos vítimas das armadilhas morais - nem acreditamos em igualdade ou em justiça.

E nosso lema: "quando estendermos nossa mão, que nossa mão tenha garras letais".